26/10/2007 - Estudo Co-Dependência Continuação





Terminei o papel anterior com o versículo de Mateus 6.33

Buscais em primeiro lugar, o seu reino e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

A pergunta que podemos fazer agora é: Nós realmente acreditamos nisso?

No pai nosso fala “Venha nós o vosso reino”. Que reino que queremos? O espiritual de Deus ou o nosso da terra? Porque se queremos realmente o Reino de Deus, precisamos morrer primeiro para este reino para Deus mandar seu reinado. E morrer para este reinado está incluso morrer para nós mesmos. Amar sem esperar nada, amar nossos inimigos e perdoar não somente os bons, mas os que nos fizeram mal. Além disso, morrer para nós mesmos é também perdoar a nossa pessoa do que fizemos no passado ou do que deixamos de fazer. Enquanto nossa consciência está dizendo: não perdoe! O inimigo está nos condenando. Perdoar é viver a nova vida e deixar Deus restaurar o que foi perdido no jardim do Éden, Deus quer nos mover do lugar de estagnação para entrar no novo reino.

Venha a nós o vosso reino.

Colossenses 1.13: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”.

Deus nos tirou das trevas através de seu filho amado Jesus Cristo.

Romanos 6.4: “Fomos, pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do pai, assim também andemos em novidade de vida”.

Quando estamos em Cristo estamos vivendo nas novas dimensões do amor, conforme Paulo fala em Efésios 3.14-21. Na altura na largura e na profundidade e no cumprimento.

Nós estamos vivendo na dimensão do perdão.

Mas por que é tão difícil aplicarmos isso? Por que é tão difícil o relacionamento familiar e como nossos irmãos?

Estas são perguntas que são feitas desde o início dos tempos e principalmente dentro da familia cristã. Podemos responder de várias maneiras englobando teologias, filosofias, psicologia etc... Porém gostaria de focalizar mais no tipo de sofrimento que a igreja e a família vem sofrendo. Quero focalizar para poder colocar uma literatura focalizada no sofrimento que está sendo chamado de sofrimento moderno na igreja e família. O sofrimento da Co-dependência familiar.

Antes de me aprofundar neste tópico gostaria de dizer já adiantado que mesmo com todo o sofrimento do ser humano nunca um sofrimento foi igualado e jamais será quando comparado com o sofrimento do nosso mestre Senhor Jesus Cristo. Jesus sofreu a maior dor, física, emocional de todos os séculos. Nós podemos sentir sua dor quando lemos em Mateus 27.46:
“ Eli, Eli, Lama sabactani? Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. E acho que essa foi a parte de mais dor de Jesus. Toda vez que leio essa frase eu choro. Isso foi brutal em todas as dimensões. Eu imagino que Jesus sentiu solidão, desespero, rejeição do mundo e muito mais. Seu sofrimento foi por nós e como filho de Deus seu sofrimento mostra a profundidade do amor de Deus por nós.

O sofrimento de Jesus mostra que Deus se importa com nosso sofrimento porque ele mesmo tomou sobre si nossas enfermidades.

Isaias 53. 3-5: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

Esta passagem de Isaías já fala tudo, porém ainda temos um longo caminho para entender que esse sofrimento foi para nos trazer a paz.

No livro de Douglas Jonh Hall, Deus e Sofrimento Humano ele fala que nos credos históricos do início da igreja que a única palavra que descreve a vida de Jesus diferente de nascimento, morte e ressurreição é a palavra sofrimento.

Deus teve que sofrer porque sofrimento é a condição daqueles em relação a Deus que seria. “Emanuel” Deus conosco, para Deus ser solidário conosco ele teria que se tornar um Deus que também sofresse.

Hall está falando não só de uma dor da carne, mas também do sofrimento do espírito humano. Infelizmente este sofrimento está atacando nossos jovens.

Estamos sofrendo da doença jovem que deveria ser de adulto. A igreja hoje está sofrendo deste tipo de doença que não mais está somente no meio da cultura secular, mas também dentro da comunidade cristã. Muitos terapeutas chamam este sofrimento de a “dor contemporânea”. Esta dor é a Co-dependência! O sofrimento dos tempos modernos. A dor da alienação da família e sociedade a qual muitas vezes é expressada por solidão, desespero, culpa, ansiedade.

A pessoa em co-dependência (co-dependente) está muito longe de entender este estado de comunhão que reside no sofrimento de “ Emanuel”. Muitas igrejas nem pregam mais sobre isso. Hoje com a pregação da prosperidade o Jesus que é pregado é apenas um herói que dá um jeito na vida emocional, material e mental, mas sem levar a pessoa a entender o sofrimento da Cruz.

Esse mal da Co-dependência está em várias igrejas, membros, pastores e líderes, mesmo que inconsciente. Estas pessoas estão não compreendem que quando sofremos ainda estamos nos relacionando com Deus que sofreu na cruz a mesma dor e muito mais do que eu. O sofrimento do Co-dependente é um contraste da experiência dos que sofrem por Cristo e sabem que Deus nunca os abandona no sofrimento. Que Deus sofre conosco.

Uma definição mais prática de Co-dependência é a do Dr. Robert Hemfelt no livro O amor é uma escolha, um dos primeiros livros a ser editado neste assunto e que ajuda na restauração.

“Co-dependência pode ser definida como uma adição a pessoas, comportamentos ou coisas. Co-dependência é a falência de tentar controlar os sentimentos, controlando pessoas, coisas e eventos fora.... Co-dependência é como um aspirador de pó que se deslanha sem controle sugando para dentro dele não apenas outras pessoas, mas também químicas como (álcool, drogas) como drogas primárias ou coisas, como dinheiro, comida, sexo, trabalho etc... Co-dependentes lutam sem descanso para preencher a grande dor emocional dentro deles.”


Também no livro, “ Power Religion” - O poder da Religião se formos traduzir, o autor de um dos capítulos Edward Welch tem uma visão diferente de Co-dependência. Ele tem um capitulo intitulado. “Co-dependência e o culto para si mesmo” Sua discussão é a respeito da popularidade que fizeram da co-dependência de falarem dela como um produto de marketing em vez de uma pesquisa séria. Ele fala que até agora as pessoas que escrevem sobre o assunto tentam convencer que Co-dependência é resultado de uma baixa auto estima, provocada por uma nutrição de amor inadequada... Ele fala que não se menciona que isso é resultado de pecado e não se prega o arrependimento.

Por quatro anos tenho falado de co-dependência com essa visão que o Co-dependente ou outra pessoa que vive sofrendo na igreja e família é por não entender três elementos de percepção. Isso pode ser consciente ou não.

1- Se entender como imagem e semelhança de Deus;
2- Identidade Pessoal;
3- Nomes pessoais falsos;

O co-dependente confunde-se com outras pessoas se espelhando nelas, no que elas falam, ou agem em vez de se espelhar na imagem de Deus. Na identidade Pessoal co-dependentes procuram seus valores no fazer, nos títulos, quanto mais fazer e possam mostrar mais afirmados são. Em vez de se afirmar no que é diante de Deus.

Nos nomes pessoais co-dependentes se apropria de nomes que colocaram nele desde criança, pessoa isso, pessoa aquilo, tipo triste, mal, autoritário, coitadinho, fraco, serio, mártir, etc...

Uma coisa é certa. Existe um fato que nenhum teólogo, ou terapeuta pode negar. O SOFRIMENTO, a dor deste tipo de pessoa que embora diga que foi convertido não para de sofrer dentro do corpo de Cristo. Uma dor emocional que trás dores físicas às vezes e agonia para o espírito de sua pessoa e dos que os a rodeiam.

Meu ponto aqui não é concordar ou discordar de ninguém, mas discutir o sofrimento de Co-dependência em relação a Deus. Um sofrimento que afeta a família cristã e não cristã e que está diretamente ligada em como vemos nossos relacionamentos com Deus, com o próximo e com a nossa pessoa.

Essas três dimensões que deveriam ser sadias dentro da familia cristã estão cada vez se confundindo principalmente na relação com Deus, na dimensão da nossa verticalidade na dimensão da altura o Co-dependente distorce o poder do Espírito Santo, confundindo com seu poder. Eu posso fazer tudo porque a palavra diz que posso, porém quando as coisas não acontecem no tempo dele, ele fica doente e às vezes depressivo, achando que Deus não está vendo sua situação.

Continuação no próximo artigo.

Texto corrigido por Julie de Paula

Deus abençoe a todos

Missionária Ceceu Kingshill

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